A Família Grávida

Quando a mulher engravida existe uma série de alterações a nível do casal e da família que implicam uma reestruturação e reorganização de todos os seus elementos.

Segundo alguns autores, o desenvolvimento psicológico é um processo contínuo que se prolonga e se desenvolve durante toda a vida, marcado por vários períodos de crise. A crise é tida como um momento de conflito interno que pode ser resolvido pela positiva ou pela negativa.

A gravidez é um período de transição e por isso deve ser considerado como um momento de crise, que faz parte do processo normal de desenvolvimento. O facto de existir um novo elemento no seio familiar, implica a necessidade de reestruturação e reajustamento em várias dimensões, envolvendo toda a família. Assim, é mais correto pensar-se não apenas em termos da “mulher grávida” mas sim de “família grávida”.

É por isso fundamental, enfatizar as interações de toda a família, na medida em que cada membro sofre transformações significativas sob o impacto da gravidez.

Em primeiro lugar há uma mudança de identidade e uma nova definição de papéis, a família passa a olhar-se e a ser olhada de maneira diferente. No caso de ser o 1º filho, a grávida além de filha e mulher passa a ser mãe, o homem além de filho e marido passa a ser pai. Os seus pais passam a ser avós e assim sucessivamente. Mesmo que seja o segundo filho verifica-se igualmente uma reorganização de papéis, pois ser pais de um filho é diferente de ser pais de dois ou mais. Com a vinda de cada filho toda a composição da rede de comunicação familiar se altera.

Evidentemente, situar a gravidez como crise ou transição não quer dizer que o período crítico termine com o parto. O período pós-parto deve ser considerado a continuação da situação de transformação, que implica novas mudanças na rotina e relacionamento familiar, consolidação da relação pais-filhos e adoção de novos papéis e posturas perante o bebé que vai nascer.

A família constitui um pilar fundamental no apoio ao casal grávido. As imagens e lembranças que a futura mamã tem da sua própria mãe irão ajudá-la a estabelecer e aceitar o seu papel. O mesmo acontece com o futuro papá, também as suas recordações das atitudes do seu pai para com ele, orientá-lo-ão nesta nova etapa da sua vida.

Os futuros pais olham para os seus próprios pais como uma hipótese de partilha e aprendizagem de experiências. Isto conduz a um fortalecimento das suas relações, desde que os pais aceitem a gravidez dos filhos e respeitem a sua autonomia e representações, dando-lhes espaço para que possam ser pais conscientes e responsáveis.


Por Susana Carvalho de Oliveira
Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica
Parteira de profissão e de coração desde 2011. Impulsionadora e diretora do projeto VouNascer. Desde 2006 que trabalha na área de obstetrícia, primeiramente no internamento de obstetrícia de um hospital privado, da área da grande Lisboa, e atualmente no bloco de partos e urgência obstétrica de um hospital público. É também conselheira em aleitamento materno reconhecida pela OMS/UNICEF, reflexologista na área da gravidez e parto, e co-autora do Método Nova-Génese. Empreendedora e dedicada de natureza. Tem 2 filhos rapazes que todos os dias lhe recordam as alegrias da maternidade.

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