Como é um Parto Normal?

Os partos normais ou mais corretamente denominados de eutócicos, são partos não instrumentados, mais fisiológicos, calmos e prazerosos para o casal, e que na sua maioria são realizados por enfermeiros especialistas em saúde materna e obstetrícia.

A aventura começa quando as contrações dão o apito de saída. Mas não são umas contrações quaisquer, elas começam por ser só uma impressão de “barriga dura” e irregulares, que vão ganhando ritmo e intensidade. Desta forma elas vão empurrando a cabeça do bebé contra o colo do útero obrigando-o a tornar-se mais fino e a abrir, ou seja, a dilatar marcando o 1º estadio do trabalho de parto. O facto de se manter ativa e em posições verticais pode ajudar o trabalho de parto a avançar mais rapidamente, para chegar aos 10 cm de dilatação.

A dor sentida durante o trabalho de parto é um processo altamente complexo, uma mistura de medo, desconhecimento, receio, e sem dúvida de processos fisiológicos, que varia de mulher para mulher, de cultura para cultura e de sociedade para sociedade. No entanto, a interpretação que a mulher faz do seu trabalho de parto é fundamental para que se consiga controlar e aproveitar ao máximo a experiência, não nos podemos esquecer que o trabalho de parto, acima de tudo,  é um processo natural, normal e expectável. Por esta razão os cursos de preparação para o parto e parentalidade são tão importantes, para a ajudar a compreender os mecanismos inerentes a esta experiência, e conseguir assim estar mais ativa e confiante, vivendo o momento intensamente, pois garantidamente ele não se irá repetir.

Quando a dilatação está completa, objetivo que pode levar várias horas, principalmente se for o primeiro filho, irá deparar-se com o 2º estadio do trabalho de parto: a expulsão. Nesta fase é pedido à parturiente que faça força para ajudar a expulsar o bebé pela vagina, no entanto é importante que entenda que não estará sozinha neste derradeiro esforço, e é necessário conjugar forças com as contrações, o esforço do bebé e a força da gravidade, aliando estes 4 vetores este período poderá ser bastante encurtado.

Existem alguns procedimentos, que não sendo rotineiros (pelo menos nos dias que correm, os profissionais fazem uma avaliação cuidada de cada situação), pode haver necessidade de serem executados no decorrer do trabalho de parto: os clisteres, que são usados muitas vezes para limpar a ampola rectal da mulher, a tricotomia ou rapação da área genital, já é muito pouco utilizada pelos profissionais, no entanto esta tornou-se uma prática estética cada vez mais comum, e por fim a temida episiotomia, ou seja, o corte na região vulvar para abrir a passagem à cabeça do bebé. Este corte normalmente é ligeiramente lateralizado em relação ao ânus e tem como objetivo prevenir rasgaduras até ao ânus e que podem levar à incontinência. Não se preocupe pois este é normalmente impercetível para a mãe, por ser realizado sob anestesia e durante a contraçã. Mais uma vez será importante referir que não é uma rotina, mas sim uma necessidade, por vezes o profissional até prefere deixar rasgar se souber que esse rasgão vai ser pequeno, pois a recuperação da mulher é bastante mais rápida desta forma.

Depois do bebé nascer e do cordão umbilical ser cortado, é tempo de sair a placenta, iniciando-se assim o 3º estadio do trabalho de parto: a dequitadura. Nesta altura, o profissional que a estiver a ajudar no parto, pode ter necessidade de fazer alguma pressão sobre a sua barriga para ajudar ao descolamento da placenta. Após a saída da placenta é tempo de ser suturada (cosida), caso tenha sofrido algum trauma na região da vulva ou períneo, a esta sutura denomina-se episiorrafia.

É possível que durante os primeiros dias possa sentir algumas dores a nível vaginal, mas exponha-o às enfermeiras que elas administrar-lhe-ão analgésicos para a aliviar. Nestes casos não se esqueça também de fazer gelo, este é um ótimo anti-inflamatório e ajuda a aliviar as dores.

Por fim, passará para o recobro onde permanecerá com o seu bebé durante cerca de duas horas, terminando assim o período do trabalho de parto com o 4º estadio: o puerpério imediato. Aqui estará sob a vigilância das enfermeiras para garantir que tudo está bem consigo e com o seu bebé, até ser transferida para o internamento.

O segredo está em compreender o parto como um fenómeno fisiológico, tudo o que acontece e sente tem uma razão um objetivo: trazer o seu bebé ao mundo, se conseguir entendê-lo desta forma, a sua recetividade às contrações e ao seu bebé será muito maior, e talvez assim consigamos diminuir o número de relatos de experiências de parto negativas, pois este é um momento único e mágico, aproveite-o ao máximo!


Por Susana Carvalho de Oliveira
Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica
Parteira de profissão e de coração desde 2011. Impulsionadora e diretora do projeto VouNascer. Desde 2006 que trabalha na área de obstetrícia, primeiramente no internamento de obstetrícia de um hospital privado, da área da grande Lisboa, e atualmente no bloco de partos e urgência obstétrica de um hospital público. É também conselheira em aleitamento materno reconhecida pela OMS/UNICEF, reflexologista na área da gravidez e parto, e co-autora do Método Nova-Génese. Empreendedora e dedicada de natureza. Tem 2 filhos rapazes que todos os dias lhe recordam as alegrias da maternidade.

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